terça-feira, 10 de agosto de 2010

Acidentes de Trânsito e sua prevenção

É inaceitável o elevado indice de acidentes de trânsito nas estradas e ruas de Mato Grasso do Sul.

Só em Campo Grande o Trânsito mata uma pessoa, quase todos os dias.

Os acidentes, de um modo geral decorrem de impericia, negligência e imprudência

A 60 km/h você dirige o carro,

A 100 km/h só Deus o guia,

A 120 km/h a morte pega carona.

Nós podemos reduzir tais acidentes, mediante educação para o trânsito.

domingo, 27 de junho de 2010

Em clima de festa, convenção do PDT reúne 3 mil militantes em Campo Grande (MS)

Midiamax News
Liziane Berrocal

A convenção do PDT que aconteceu na manhã e parte da tarde de hoje na Associação Nipo Brasileira foi permeada de definições políticas, muito barulho da militância e um fato histórico para a política de Mato Grosso do Sul.

Cerca de 3 mil pessoas compareceram ao evento que uniu lideranças do PDT, PT, PV e PP. Durante a convenção, postulantes da Câmara Federal e Assembleia Legislativa aproveitaram o microfone para discursos que eram limitados a três minutos, nunca respeitado pela maioria dos candidatos.

João Leite Shimidth, presidente de honra do partido direcionou o evento que durou até às 13h30. “Estamos fazendo uma festa da democracia”, disse.

Dagoberto quase não conseguiu iniciar sua fala, devido a bateria de fogos que marcou o início de seu discurso.

O candidato ao senado, Dagoberto Nogueira, enfatizou mais uma vez que a palavra mais gritante dessa campanha será a democracia e criticou o autoritarismo do governador André Puccinelli (PMDB).

Discursando junto à esposa e filha, o deputado federal aproveitou para desabafar os problemas enfrentados por seu partido anteriormente. “As pessoas que diziam que o PDT não ia sobreviver, que achavam que éramos um partido feito por 3 ou 4 pessoas se enganou e a prova está com a presença da nossa militância aqui hoje”, bradou emocionado.

Dagoberto também anunciou que além do nome da professora Gilda dos Santos (PT) na primeira suplência, foi escolhido o nome de Raimundo Nonato do PP para candidato a segunda suplência em sua chapa.e

domingo, 22 de novembro de 2009

Brasil Atual » Diretas Já

Brasil Escola » História do Brasil » Diretas Já


No ano de 1979, o regime militar tomou medidas que permitiram o retorno das liberdades democráticas no país. O sistema bipartidário foi substituído por uma reforma política que abriu espaço para a formação de novos partidos dentro do país. Dessa forma, as novas siglas que ao mesmo tempo representavam maior direito de expressão política, também marcavam um atípico processo de fragmentação político-partidária.

Chegado o ano de 1982, estes partidos disputaram eleições para os governos estaduais e demais cargos legislativos. Mediante esse novo quadro, membros de oposição da Câmara dos Deputados tentaram articular uma lei que instituísse o voto direto na escolha do sucessor do presidente João Batista Figueiredo. Em 1983, essa movimentação tomou a forma de um projeto de lei elaborado pelo deputado peemedebista Dante de Oliveira.

A divulgação da chamada “Emenda Dante de Oliveira” repercutiu entre vários grupos mais politizados das capitais e grandes cidades do país. Em um curto espaço de tempo, membros do PMDB, PT e PDT passaram a organizar grandes comícios onde a população se colocava em favor da escolha direta para o cargo de presidente. Com a repercussão tomada nos meios de comunicação, essas manifestações se transformaram no movimento das “Diretas Já!”.

Reconhecida como uma das maiores manifestações populares já ocorridas no país, as “Diretas Já!” foram marcadas por enormes comícios onde figuras perseguidas pela ditadura militar, membros da classe artística, intelectuais e representantes de outros movimentos militavam pela aprovação do projeto de lei. Em janeiro de 1984, cerca de 300.000 pessoas se reuniram na Praça da Sé, em São Paulo. Três meses depois, um milhão de cidadãos tomou o Rio de Janeiro. Algumas semanas depois, cerca de 1,7 milhões de pessoas se mobilizaram em São Paulo.

Mesmo realizando uma enorme pressão para que as eleições diretas fossem oficializadas, os deputados federais da época não se sensibilizaram mediante os enormes apelos. Com isso, por uma diferença de apenas 22 votos e um vertiginoso número de abstenções, o Brasil manteve o sistema indireto para as eleições de 1985. Para dar a tal disputa política uma aparência democrática, o governo permitiu que civis concorressem ao pleito.



Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Livro que analisa o papel da imprensa nas "Diretas-Já"

da Folha Online

O livro "Jornalismo e Política Democrática no Brasil", editado pela Publifolha, investiga o papel da imprensa durante quatro momentos-chave da história do país: as Diretas Já, as eleições de 1989, o Plano Real e o governo FHC e a disputa presidencial de 2002.

Saiba mais sobre o título.

Leia abaixo o trecho do livro que analisa a cobertura das Diretas-Já pela Folha e outros veículos.

*

JORNALISMO DE MERCADO EM BUSCA DA DEMOCRACIA: UMA ANÁLISE DA FOLHA DE S.PAULO E A COBERTURA DAS DIRETAS-JÁ

Reprodução

Livro mostra importância da imprensa na transformações da política brasileira
Livro mostra importância da imprensa na política brasileira

INTRODUÇÃO

A campanha das Diretas-Já, de 1984, marcou profundamente a história brasileira. Menos pelo fato do movimento cívico não ter sido bem-sucedido ao exigir o retorno da democracia representativa civil, e mais porque ofereceu um desafio inquestionável à continuidade da ditadura militar (1964-85) no país, servindo como catalisador para o fim de um regime autoritário que começava a entrar em definitiva decadência.

Manifestações cívicas em massa exigindo Diretas-Já ocuparam as principais ruas das capitais do Brasil durante os últimos meses de 1983 e os primeiros de 1984. As marchas tinham como objetivo principal pressionar os deputados a aprovar no Congresso, em 25 de abril de 1984, a emenda constitucional de Dante de Oliveira, restabelecendo as eleições diretas para presidente. A emenda foi rejeitada, deixando vários segmentos da população e representantes da sociedade civil frustrados. A campanha das eleições diretas pode então ser vista como um movimento crucial na luta para acelerar a queda do regime militar. Muitos setores da sociedade finalmente acordaram de seu longo sonho nos primeiros meses de 1984 para exigir o fim da ditadura.

Apesar de ter sido oficialmente anulada, a censura de Estado sobre a mídia ainda era utilizada. Em 1984, ela parecia ser uma sombra escondida em todas as redações. Devido aos temores, a maioria da grande imprensa se engajou inicialmente de forma tímida na campanha das Diretas-Já, com uma tendência a reproduzir os pontos de vista do regime e a de se atrelar aos discursos oficiais, apoiando o movimento cívico basicamente nos últimos meses. O jornal Folha de S.Paulo emergiu como o primeiro grande diário a explicitamente levantar a bandeira a favor das eleições diretas, ao assumir uma posição militante e ativa destacada na época em relação aos outros jornais, principalmente devido às críticas agressivas ao establishment militar.

Outros grandes veículos de comunicação como os jornais Estado de S. Paulo e O Globo hesitaram mais, decidindo apoiar as eleições diretas pouco antes do voto no Congresso. Como a Folha, mas com menos empenho, revistas como Veja e Isto É também endossaram o movimento, como maneira de sinalizar para o público que estavam cortando os laços com a ditadura militar. A Folha viu no apoio uma oportunidade para se capitalizar jornalisticamente.

Mesclando pragmatismo de mercado com interesses políticos e econômicos, optou por explorar o vácuo deixado na grande esfera pública midiática, anteriormente ocupado principalmente por fontes tradicionais militares e empresariais. O jornal começou então a se apresentar como um novo tipo de porta-voz da intelligentsia brasileira.

Em competição com o rival mais conservador - o Estado de S. Paulo, que durante o final dos anos 70 havia se erguido como o principal jornal do país, apesar de ter apoiado, sem grande entusiasmo, o golpe militar de 1964 - a Folha abandonou a posição passiva em relação à ditadura. Dos anos 70 em diante, começou a adotar uma linha editorial de confronto, defendida em meio aos compromissos assumidos pelo regime de promover uma transição lenta e gradual de volta à democracia civil *. Neste contexto, a cobertura das Diretas-Já pela Folha marcou o pico de seu engajamento com o jornalismo militante político. Com isso, conseguiu criar os meios para pavimentar sua posição como o diário político mais influente do país. A Folha, como a maior parte da grande imprensa, deu apoio ao golpe militar de 1964 e a deposição do então presidente João Goulart, um político que planejava realizar reformas sociais controversas no país. Os anos da ditadura viram, portanto, o alinhamento da maior parte da mídia com o regime, com a imprensa alternativa funcionando como palco da resistência militante (Alzira de Abreu, 2003; Waisbord, 2000). A grande imprensa, no entanto, também lutou contra a censura e chegou a brigar com os generais durante todos esses anos, o que será examinado no Capítulo 6.

Apesar de a censura ter acabado em 1984 e o país ter entrado numa fase de transição, temores em relação ao retorno dessas práticas repressivas eram realidade. As ações dos jornalistas estavam limitadas pelas rotinas de autocensura e pelo possível retorno de uma censura explícita. Muitos jornalistas ou se engajavam no jornalismo militante, ou reproduziam as visões oficiais que reafirmavam os medos dos generais de um retorno rápido à democracia. Outros viram a oportunidade para usar as páginas da mídia para pressionar por mudanças. Este capítulo disseca, portanto, a cobertura da campanha das Diretas-Já realizada pela imprensa escrita à luz desta perspectiva específica.

A cobertura da Folha aparece aqui como o estudo de caso principal deste capítulo. Os seis meses da campanha realizados antes da rejeição da emenda Dante de Oliveira, no dia 25 de abril de 1984, são explorados criticamente. A análise textual contou com um total de 871 matérias jornalísticas sobre o movimento, incluindo 378 textos e artigos dos jornais Folha de S.Paulo, 342 do Globo, 74 de O Estado de S. Paulo, 70 do Jornal do Brasil, 15 das revistas Veja e 12 da Isto É (Tabela 2.1). Esta investigação cobre o período de novembro 1983 a abril de 1984, e se concentra principalmente na última fase da campanha.

Este capítulo debate a dimensão do impacto que a grande imprensa teve e, em especial, a cobertura da Folha no avanço da democracia; discute as reformas realizadas pelo jornal em 1984, e como estas contribuíram para moldar o atual jornalismo contemporâneo brasileiro. Há bastante controvérsia em relação às contribuições realizadas pela Folha de S.Paulo. Críticos radicais (Carta, 1988; Arbex Jr., 2001; Kucinski, 1998) sugeriram que a cobertura da Folha foi pura estratégia de marketing, um "projeto democrático para o mercado". Essa afirmação é parcialmente verdadeira, embora o assunto seja muito mais complexo e mereça ser mais bem examinado. Uma análise mais detalhada merece ir além do preconceito de mercado, levando em consideração narrativas históricas e as influências que elementos socioeconômicos e políticos tiveram sobre o jornalismo, bem como as múltiplas culturas jornalísticas nas redações e os diferentes projetos democráticos para o país.

Sem dúvida, a Folha soube, talvez melhor do que qualquer outro órgão, fazer uso das divisões que emergiram nos grupos das elites da sociedade brasileira em relação ao futuro do país. Certos grupos, entre eles intelectuais e políticos de centro-esquerda, representantes da sociedade civil, de sindicatos, de alguns setores do mundo empresarial, bem como segmentos de uma classe média desiludida, perceberam que o ciclo do regime militar havia chegado ao fim. A Folha de S.Paulo também acreditava que a mudança era necessária, e logo entendeu que o jornal só iria prosperar de fato numa sociedade capitalista avançada inserida numa lógica liberal de mercado (Lins da Silva, 1988; Novelli, 2002).

Este trabalho teve início com a reconstrução da campanha, examinando as diferentes fases do movimento e a posição ambígua tomada pelos generais militares. A segunda metade deste capítulo olha para a cobertura da Folha, mesclada com um exame crítico das particularidades do modelo de jornalismo opinativo do diário à luz do compromisso com o seu projeto editorial de 1974. Segue-se depois uma deliberação sobre as reformas pró-mercado conduzidas pelo jornal que, como veremos, não representaram uma ruptura total com as ações do passado. Após as Diretas-Já, a Folha deixou de lado o jornalismo mais opinativo para atender às demandas de mercado, consolidando-se dentro do modelo de jornalismo comercial norte-americano. O sucesso da cobertura elevou a circulação do jornal, ao atrair novos grupos de leitores entre diversos setores da sociedade brasileira. O número de leitores cresceu, expandindo-se para além dos representantes da sociedade civil organizada e as elites intelectuais, militares e empresariais.

Em analogia ao argumento de Habermas (1989) sobre o declínio da esfera pública em meio ao crescimento da imprensa comercial, pode-se dizer que as mudanças da Folha foram um reflexo tanto da evolução da imprensa como da esfera pública naquele momento particular na história do Brasil. De forma semelhante à discussão de Hallin (1994) sobre a transformação da imprensa norte-americana de veículos de debate político nos séculos 18 e 19 para empreendimentos comerciais jornalísticos, um fato que paradoxalmente democratizou o mercado dos jornais, as reformas de 1984 da Folha de S.Paulo tiveram dupla função. Democratizaram o acesso aos jornais de qualidade mas, ao mesmo tempo, indicaram que uma ameaça poderia surgir em relação à expansão dos valores de cidadania no jornalismo. Entretanto, antes que esse debate seja explorado em maior detalhe, é necessário avaliar o significado da campanha das Diretas-Já para entender melhor os motivos que levaram a Folha a ganhar por ter apoiado o movimento.

*A abertura do regime ocorreu em meio às tensões entre os militares da linhadura que temiam a subida da oposição e os setores mais moderados que eram favoráveis ao aceleramento do retorno à democracia. O governo de Ernesto Geisel (1974-79) foi o responsável por tirar as leis de censura impostas à imprensa e as medidas repressivas do Ato Institucional de 1968 (AI-5), criadas no ano que inaugurou a fase mais negra da ditadura.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Tancredo só aceitou operação após garantia da posse de Sarney

Marcos Chagas e Iolando Lourenço
Repórteres da Agência Brasil


Brasília - Ciente de que estava tomado por uma infecção de grande proporção dias antes de tomar posse na Presidência da República, Tancredo Neves resistiu até o último momento a submeter-se a uma cirurgia pela equipe do Hospital de Base. O primo Francisco Dornelles (PP-RJ), indicado à época para assumir o Ministério da Fazenda, recorda que o grande receio de Tancredo Neves era que o então presidente João Baptista Figueiredo se recusasse a dar posse ao vice-presidente José Sarney.

Já internado no Hospital de Base, com toda a equipe cirúrgica de prontidão, Tancredo disse a Francisco Dornelles que não se submeteria à operação caso não tivesse a garantia de que Figueiredo empossaria Sarney.

Francisco Dornelles recorda que não lhe restou alternativa a não ser garantir ao primo que o general-presidente empossaria Sarney.

As articulações para a posse de Sarney, de acordo com informações compiladas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), já estavam, naquele momento, sob a condução do então presidente da Câmara Ulysses Guimarães (PMDB-SP) e do ex-ministro-chefe da Casa Civil Leitão de Abreu.

“Eu posso garantir ao senhor que o Figueiredo dá posse ao Sarney”, respondeu Dornelles ao presidente.

Só com essa garantia Tancredo Neves aceitou submeter-se à primeira de sete cirurgias para tentar amenizar o quadro de fortes dores abdominais.

Tancredo Neves morreu há 24 anos, no dia 21 de abril de 1985, de infecção generalizada.

O senador Francisco Dornelles relembra a grande comoção nacional com a morte de um dos principais articuladores políticos do processo de transição do poder militar para o poder civil, anunciada pelo porta-voz Antônio Brito.

“Foi uma das maiores tragédias da vida pública brasileira. Tancredo fez todo o movimento de conciliação, de entendimento e de concórdia, chegou à Presidência da República totalmente maduro para governar o Brasil e um dia antes é atacado por um problema de saúde que praticamente o afasta da Presidência. Nunca a sociedade brasileira teve uma frustração tão grande como teve em abril de 1985.”

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Livro conta história do Brasil entre 1980 e 2000; leia capítulo (Oscar Pilagallo)

28/12/2006 - 18h33

da Folha Online

Leia a seguir o capítulo e introdução do último livro de uma série de cinco (cada um abrangendo duas décadas) sobre a história do Brasil no século 20: "A História do Brasil no Século 20: 1980-2000", assinado por Oscar Pilagallo.

Divulgação
Livro faz um olhar retrospectivo sobre 20 anos da história do Brasil
Livro faz um olhar retrospectivo sobre 20 anos da história do Brasil

Da campanha das diretas à eleição de Lula à Presidência em 2002, passando pela morte de Tancredo, o impeachment de Collor (primeiro presidente eleito no país pelo voto direto) e o plano Real, a obra da série "Folha Explica" dá um panorama geral do desenvolvimento do país nas últimas duas décadas, no tortuoso caminho em busca da democracia.

Oscar Pilagallo é jornalista, editor da série "Cadernos EntreLivros", colaborador da Folha e "Valor Econômico", e autor de "A história do Brasil no Século 20", "O Brasil em Sobressalto" e "A Aventura do Dinheiro".

Como o nome indica, a série "Folha Explica" ambiciona explicar os assuntos tratados e fazê-lo em um contexto brasileiro: cada livro oferece ao leitor condições não só para que fique bem informado, mas para que possa refletir sobre o tema, de uma perspectiva atual e consciente das circunstâncias do país.

"Folha Explica A História do Brasil no Século 20: 1980-2000"
Autor: Oscar Pilagallo
Editora: Publifolha
Páginas: 112
Quanto: R$ 17,90
Onde comprar: nas principais livrarias, pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Publifolha

Confira a introdução do "Folha Explica A História do Brasil no Século 20: 1980-2000":

As duas últimas décadas do século 20 foram marcadas pelo retorno à democracia. Jornais da época se referiam às vezes a uma "volta à normalidade democrática". É uma expressão inadequada: em vez de descrever o processo político, idealiza o passado. Uma rápida olhada na história da República mostra por quê. O regime, depois de estrear com uma seqüência de governos oligárquicos sem representatividade que se revezaram no poder por 40 anos, experimentou duas ditaduras (a getulista e a militar) que somadas consumiram mais três décadas e, nos intervalos democráticos, enfrentou seguidas ameaças à ordem institucional. Não havia, portanto, uma tradição propriamente democrática à qual se pudesse retornar.

Nos anos 80 e 90 --o escopo deste livro-- o Brasil conquista a democracia, consolidando-a, aparentemente, como única forma aceitável de governo. Apesar das turbulências, que incluem um inédito processo de impeachment, o país chega ao século 21 vivendo o mais longo período sob regras democráticas (deixada de lado a República Velha, por não atender ao requisito contemporâneo de um eleitorado que refletisse a composição da sociedade). Se não é tudo o que se poderia desejar, também não é pouco. A democracia formal pode não ter resultado numa política consistente de inclusão social, mas esse passo em suspenso não apaga as pegadas do caminho trilhado.

O primeiro capítulo tratará dos estertores do regime militar. Em 1984, após jejum prolongado, a sociedade civil volta a ter papel de protagonista no jogo político ao lotar praças públicas durante a campanha das diretas-já. Embora a emenda constitucional com a proposta de eleição direta para presidente tenha sido derrotada no Congresso, a pressão popular influencia no processo sucessório. Ao cabo de articulações em que pesou o capital político obtido nas ruas, Tancredo Neves, candidato civil e de oposição, é eleito indiretamente, pondo fim a mais de duas décadas de ditadura militar.

Com a morte de Tancredo, José Sarney assume e logo se vê às voltas com o problema da inflação crônica. O Plano Cruzado, abordado no capítulo 2, parece solução fácil demais. Com congelamento de preços e aumento de salários, a inflação despenca e o consumo explode. A festa dura pouco, logo vem a crise de abastecimento. De olho nas eleições de 1986, o governo estica a vigência do plano, que afunda após as urnas serem abertas. A inflação volta com mais força. A rejeição ao governo ajuda a eleger o presidente seguinte.

Fernando Collor, personagem do terceiro capítulo, derrota Luiz Inácio Lula da Silva com um discurso liberal e moralizante. No início dos anos 90, o Plano Collor confisca a poupança da população e nem assim consegue debelar a inflação, que segue como inimigo número um do país no campo econômico. Sem êxito e sem uma base de sustentação parlamentar, o presidente vê-se isolado quando denúncias de corrupção recaem sobre o governo. O Collorgate termina com a abertura do processo de impeachment que afasta o presidente na metade do mandato.

Itamar Franco, o vice, toma posse com o mesmo objetivo de seus antecessores: domar a inflação. Depois de um começo hesitante, coloca Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda. FHC reúne a equipe que trabalhara no Cruzado e que, tendo aprendido com os erros, põe de pé o Plano Real, em 1994. O sucesso imediato do programa de estabilização, analisado no capítulo 4, garante sua eleição para presidente.

O último capítulo é dedicado ao governo FHC. Muito foi feito --e muito não foi feito. De um lado, FHC garantiu a manutenção do Plano Real e executou um programa de privatização que enxugou o Estado. De outro, relutou em corrigir o rumo do plano, tornando a economia vulnerável à crise mundial do final da década e refém de uma política de juros elevadíssimos.

Um olhar retrospectivo sobre esses 20 anos, porém, não dá margem a dúvida: o saldo é positivo.

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